extremamente sensível.
A rotina do personagem é repetitiva. Ele acorda, trabalha, cuida da casa, repete as mesmas coisas. E, no meio dessas pequenas tarefas, aparecem as lembranças de uma vida que já não existe da mesma forma.
E talvez tenha sido justamente isso que mais me tocou.
Porque quando a gente perde alguém que ama, não perde apenas a pessoa. Perde os hábitos, os planos, os lugares, as pequenas coisas que faziam parte da vida a dois. E o mais estranho é que o mundo continua funcionando normalmente enquanto, dentro da gente, tudo parece ter mudado.
Estou vivendo uma perda agora. E, enquanto jogava, muitas vezes senti que não estava apenas acompanhando a história daquele personagem. Eu estava reconhecendo algumas partes de mim nele.
A tentativa de guardar cada lembrança. A dificuldade de aceitar que algo que foi tão importante pode mudar de forma. A vontade de voltar para determinados momentos e, ao mesmo tempo, a consciência de que não é possível morar para sempre neles.
O que mais gostei é que o jogo não precisa explicar tudo com palavras. A repetição, o silêncio, a música e as pequenas ações dizem muito. É uma história sobre saudade contada através da rotina.
Algumas histórias acabam, mas isso não torna o que aconteceu nelas menos verdadeiro.
Terminei Pine pensando que talvez o luto não seja aprender a esquecer alguém. Talvez seja aprender a carregar aquilo que essa pessoa deixou na gente sem deixar que a ausência ocupe todo o espaço.
Não sei se eu teria entendido esse jogo da mesma maneira em outro momento da minha vida.
Talvez eu só tenha encontrado Pine justamente quando precisava dele.
Jogo com bugs
Stunningly beautiful
O jogo é muito lindo, e não só os gráficos! Mas a história em si…
Parabéns aos desenvolvedores do jogo!!
